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Caindo das Nuvens

    Anoitecera. De repente, encontrei-me em uma rua de paralelepípedos com casas coloniais em ambos os lados. Senti que alguém me seguia, tentava olhar para trás, mas um nevoeiro espesso impedia-me de ver o rosto do homem que me seguia. Sabia que era um homem pois estava vestido com uma camiseta cinza e calca preta justas que lhe delineavam o corpo troncudo. Comecei a correr rua acima e ora tentava abrir uma porta ou outra, mas todas estavam trancadas. Tudo parecia abandonado. O silêncio cortava tanto quanto o frio que aumentava a cada minuto. O único som vinha do solado do sapato de meu perseguidor.
    Chegando ao topo do morro, vi uma casa branca com a porta aberta. Entrei fechando a porta atrás de mim. Notei que estava em um quarto com uma cama grande que parecia acolhedora e macia. Os lençóis brancos lembravam-me de nuvens. Tentando esconder-me do frio, joguei-me no meio da cama e caí. Tombei-me como se estivesse caindo por entre as nuvens do céu. Gritei assustada e ao som de meu grito mãos gigantes apareceram em minha volta e tantavam agarrar-me. Elas apertavam-me e eu escorria por entre os dedos continuando na minha descida que parecia infinita. A escuridão era total exceto pelas mãos que conseguia ver claramente. As mãos machucavam-me e eu tentava desviar-me delas, mas não conseguia mudar minha direção ou a velocidade da queda.
    Meu coração batia cada vez mais veloz até que enfim, antes de me esborrachar no chão acordei coberta de suor. Trêmula e abalada pelo sonho que me perseguia por vinte anos de minha vida decidi que era hora de agir.

02 de setembro 2004
Helena Guerreira
Enviado por Helena Guerreira em 29/11/2019
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